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sábado, 2 de janeiro de 2010

Tudo Novo?


FELIZ ANO... de novo

Walnize Carvalho

De novo, a falsa euforia...
De novo, o engarrafamento...
nas ruas
nas mesas
Alegria?!

De novo, o vestido branco.
De novo, papéis picados do Banco.

De novo, tilintar das taças.
De novo, o riso de graça.

De novo, praia cheia
- oferendas na areia.
De novo, o comer de uvas, lentilhas.
De novo, catador de latas vazias.

De novo....
De novo...
Novamente
A espera por bonança.
A E S P E R A N Ç A.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Conto de Jardim: O Ano Novo


Depois de um ano tão difícil e ao mesmo tempo com tantos obstáculos vencidos só pensava duas coisas: "Como eu gosto da minha vida e como são tolas as promessas de ano novo".
Parar de fumar (nunca havia feito essa promessa, engravidou e simplesmente nunca mais fumou), fazer dieta (depois de certa idade o que importa é não ultrapassar certos limites perigosos de peso, corpo ideal é delírio de menina insegura), ser mais tolerante (isso aprendeu depois dos 40 anos e não num primeiro de janeiro qualquer)...
Detestava as festas de reveillón com muita bebida e quase nenhuma comida,conforto zero e zilhões de pessoas desconhecidas ao redor. Decidiram partir rumo ao sol, porém apenas para assistir a queima de fogos. Depois aconchego de uma festinha me família, mesa posta,velas e flores.
Lembra-se sempre do avô nessa data: "Olha pro céu,olha o ano velho indo embora e o ano novo chegando." E das lamúrias da avó,:"Para o ano eu não estarei mais aqui" (viveu 93 anos).
Definitivamente não era uma festa dela,amava o Natal, mas as comemorações de Ano Bom traziam sempre um certo tédio, um gosto meio cinza na boca. Ano Bom é estar cercada de amor.
Que viesse mais um ano, sem promessas, sem tantas expectativas, um ano de sentimentos plenos e guarda-roupa arrumado.
Com amor, rumo ao sol..

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Conto de jardim:Conto desse lugar


Teve dificuldades em dormir. Foi uma noite conturbada. Calor, pensamentos desconexos, lembranças que preferia esquecer. Insetos!
Antes das cinco da manhã resolveu acabar com o sofrimento. De hoje não passava.
Tomou uma ducha bem quente, vestiu a roupa de banho, o vestido leve que mais gostava e calçou uma sandália rasteira.
Penteou os longos cabelos, pegou a bolsa enorme e os óculos escuros.
Ligou o carro e saiu com os vidros abertos deixando que o vento da manhã invadisse as narinas.
De hoje não passaria.
Chegou à margem do imenso rio e desceu a escadinha íngreme bem onde as águas seguiam numa enorme curva.
Descalçou as sandálias e arriscou molhar os pés. Sentiu a força da água.
Subiu os degraus de volta, entrou no carro e pegou a estrada.
Depois de mais de quarenta minutos avistou o mar. Ondas violentas. A luz do sol filtrada pela neblina matinal.
De hoje não passaria.
Tirou o vestido leve e foi caminhando rumo às ondas violentas.
A primeira veio forte e encobriu seu corpo. Mergulhou e nadou vigorosamente. Avançou mar adentro. Sentiu uma energia estranha.
De hoje não passaria.
Depois de longos minutos enfrentando as vagas daquele mar que conhecia tão bem, nadou de volta à praia.
De hoje não passaria.
Deixou pra trás tudo que incomodava sua alma tumultuada.
Sorriu revigorada. Finalmente seu ano novo havia começado.