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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Com jeito de mulher


Walnize Carvalho

Não foi puro, creio eu, que Deus ao criá-la batizou-a com nome feminino: NATUREZA.

Bela, quase sempre. Silenciosa, às vezes. Generosa, outras tantas. Caprichosa, quando quer. Exibicionista. Determinada. Habilidosa. Espontânea. Contraditória. Versátil. Dócil. Rebelde. Voluptuosa.

Foi assim que pensei, ao passar naquela tarde chuvosa de inverno, pela Beira-Valão e vi destacando-se entre os ipês floridos, uma imensa árvore coberta de dourados brilhos.

Como uma bela e desejada mulher, ali se fazia presente, contrariando seu tempo de florescer (primavera). Com pujança dava um show de exibicionismo com tempo marcado para “retirar-se de cena” e usar trajes comuns.

A Natureza e sua suntuosidade.

E continuei meditando: quantas espécies habitam o Universo (rios, mares, florestas, pássaros, cachoeiras, etc. ...) seguindo a ordem natural estabelecida, muitas vezes apresentam espetáculos diários sem o olhar do homem?!?...

A Natureza e sua espontaneidade.

Sigo a caminhada. Mais adiante reflito: e as catástrofes, as devastações dos rios e mares?!?...

A Natureza e sua agressividade.

O pensamento gira: e quando nas redes dos pescadores vêm saltitando sortimento de peixes e crustáceos?!?...

A Natureza e sua generosidade.

Paro o trajeto. A chuva cessa. O sol aparece por entre as nuvens. No céu desenha-se um portentoso arco-íris.

A Natureza e sua versatilidade

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Constelação


Walnize Carvalho

A mulher chega ao quarto.
Sobre a imensa cama, lençóis azuis, cor de anil.
Sobre a pele clara, vestes brancas. Transparentes. Sobre o móvel o livro “Estrela solitária”- a vida de Garrincha.
Relaxa o corpo, mente e coração. Alonga pernas e braços.
Das janelas abertas, um brisa suave atravessa o quarto.
A primeira estrela aparece no céu e vem espiá-la.
Cerra os ollhos.

E pensa: Há estrelas em toda parte: na pipa ao vento, nos brincos da moça, no brinquedo do menino, na camisa do time, no olhar do apaixonado, no brasão da bandeira, no champagne, na taça, na vela perfumada, no poema de Bilac, na música do Sílvio Caldas e mais... e mais...
Abre os olhos.
No céu, outras tantas estrelas já estão a fazer companhia àquela primeira.
E olhando no imenso espelho do seu quarto seu corpo em cinco pontas-cabeça, braços e pernas alongados – traje branco, lençol azul se vê a estrela do céu do seu mundo à parte.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Não mais




Walnize Carvalho

Não mais
sonhar o impossível
sofrer o previsível

Não mais
aceitar firulas
ler intermináveis bulas

Não mais
decifrar manuais
querer tempos que não voltam mais

Não mais
achar que “beleza põe mesa”
ser indiferente à Natureza

Não mais
contracenar com amadores
que só valorizam suas dores

Não mais
preocupar com frivolidade
lamentar o correr da idade

Não mais
lutar por causas perdidas
futucar velhas feridas

Sim
mais e muito mais
saborear momentos felizes
traçar novas diretrizes
amadurecer com SABEDORIA
Pois é o bem de maior valia.