Não dou conta da dor. Não consigo escrever nada que preste quando a alma anda sangrando. Por isso a prosa (a minha procura pactos com a felicidade) me flui mais fácil.
Minha poesia é pueril, bobinha. Não encanta. Não tem dores. Tem muitas cores. Cores são prosa, têm muito de vida e pouco de poesia.
Para grandes poemas, pego carona nos mestres e mestras. Na dor de Florbela, em Pessoa, em Quintana.
A Ana é banana. Não tem o talento da poesia nas veias. Não sabe poemar sobre o cotidiano como Adélia. Sabe não.
Quem só sabe falar do amor que sente que encanta, que faz feliz fica um poeta de pé-quebrado. O amor que se foi dá belos poemas. Mas traz à tona muitas dores. Quero não.
Não quero ser Carolina. “Pela janela, oi que lindo...” tem um sol do tamanho do mundo.
“Seu pranto não vai nada ajudarEu já convidei para dançarÉ hora, já sei, de aproveitarLá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiuEu bem que mostrei sorrindo. Pela janela, ói que lindoMas Carolina não viu” (Chico Buarque-Carolina)
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