sábado, 24 de janeiro de 2009

Ventos quentes e poesia


Recebi esse recadinho por e-mail da minha amiga Auciliene Freitas me apresentando uma poetisa, Celina Ferreira, que ela conheceu através de um amigo. Singelos versos. Doces. Repletos de sinceridade. Uma delícia que saboreei na tarde quente de um domingo. Hoje republico porque a tarde está linda e eu ando especialmente assim:EU e me sentindo bem como numa manhã de maio (desculpe a "reprise").
Os versos dela que me foram apresentados são assim, puros, delicados. Sua tristeza, doce. Deixo para que leia hoje este poeminha que amo, por sua beleza, sua feminilidade, sua simplicidade. São versos melodiosos, singelos, bons para serem lidos em voz alta, devagar, saboreando bem as palavras. Dedico especialmente a minha amiga Ana Paula Motta (que, tenho certeza, adorará).” Aucilene

Ele me beija tão manso


Ele me beija tão manso
que eu penso tudo: cascatas
brotando dentro de mim.

Penso flores, penso musgo,
pedrinhas claras, redondas.
rolando dentro de mim.

Penso nuvens transparentes,
areias brancas, desertos,
mares longínquos de mim.

Ele me beija tão manso
que me perco no meu mundo
tão pequeno e tão sem fim
!

Celina Ferreira



Filosofices


As pessoas muito intensas têm um sofrimento mais sofrido que qualquer outro ser humano .Por outro lado têm a felicidade mais feliz do mundo.

Eu e minhas filosofices fora de hora... Deve ser o excesso de sol.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Conto de jardim:Conto desse lugar


Teve dificuldades em dormir. Foi uma noite conturbada. Calor, pensamentos desconexos, lembranças que preferia esquecer. Insetos!
Antes das cinco da manhã resolveu acabar com o sofrimento. De hoje não passava.
Tomou uma ducha bem quente, vestiu a roupa de banho, o vestido leve que mais gostava e calçou uma sandália rasteira.
Penteou os longos cabelos, pegou a bolsa enorme e os óculos escuros.
Ligou o carro e saiu com os vidros abertos deixando que o vento da manhã invadisse as narinas.
De hoje não passaria.
Chegou à margem do imenso rio e desceu a escadinha íngreme bem onde as águas seguiam numa enorme curva.
Descalçou as sandálias e arriscou molhar os pés. Sentiu a força da água.
Subiu os degraus de volta, entrou no carro e pegou a estrada.
Depois de mais de quarenta minutos avistou o mar. Ondas violentas. A luz do sol filtrada pela neblina matinal.
De hoje não passaria.
Tirou o vestido leve e foi caminhando rumo às ondas violentas.
A primeira veio forte e encobriu seu corpo. Mergulhou e nadou vigorosamente. Avançou mar adentro. Sentiu uma energia estranha.
De hoje não passaria.
Depois de longos minutos enfrentando as vagas daquele mar que conhecia tão bem, nadou de volta à praia.
De hoje não passaria.
Deixou pra trás tudo que incomodava sua alma tumultuada.
Sorriu revigorada. Finalmente seu ano novo havia começado.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Segunda-feira quente e modorrenta

Segunda-feira de férias em casa. Uma mistura muito estranha, um mormaço entediante, dia de pagar contas.

Enquanto tento, em vão ter uma idéia decente para um post começa um desenho na TV chamado “Três Espiãs Demais”. Incrível, mas gosto de assistir cada coisa. As tais espiãs são umas peruasinhas que além de investigações falam em moda todo tempo.

Acho que gosto porque as tais mocinhas são amigas fiéis, daquelas até debaixo d’água e ando com vontade de escrever sobre a amizade feminina e suas nuances.

O post sobre o assunto merece mais que um comentário sobre um desenho animado tão bobinho. Fica pra outra hora.

Agora só me ocorre um trecho de um filme de Almodóvar, um exagero sobre os descontroles da alma feminina,amizades e inimizades. Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Mimo


Ganhei esse selo da Natália Augusto do Tout sur Nathalie
( http://nathaliearmindo.blogspot.com)que além de ser uma incentivadora dos meu blogs é uma amiga de todas as horas.Obrigada!!!

Florbela...Florbela


Rústica

Eu q’ria ser camponesa;
Ir esperar-te à tardinha
Quando é doce a Natureza
No silêncio da devesa,
E só voltar à noitinha…

Levar o cântaro à fonte
Deixá-lo devagarinho,
E correndo pela ponte
Que fica detrás do monte
Ir encontrar-te sozinho…

E depois quando o luar
Andasse pelas estradas,
D’olhos cheios do teu olhar
Eu voltaria a sonhar,
P’los caminhos de mãos dadas.

E depois se toda a gente
Perguntasse: “Que encarnada,
Rapariga! Estás doente?”
Eu diria: “É do poente,
Que assim me fez encarnada!”

E fitando ao longe a ponte,
Com meu olhar cheio do teu,
Diria a sorrir pro monte:
“O cant’ro ficou na fonte
Mas os beijos trouxe-os eu…

Florbela Espanca - Trocando olhares

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Poema do vento

AdalorÁfricoAlísioAragemAura
Austro

BrisaCicloneEspiroEuroFuracão
Garbino
LariçoLestadaLevante
Mareiro
Mistral
MinuanoMonçãoNortadaOressa
Pampeiro
RafadaRajadaRedemoinho
Siroco
SobreventoSuestadaTerralTornado
Tramontana
TravessãoTufãoVendavalViraçãoXamal
Zoeira


Tudo isso é vento

É desassossego em mim

Poema originalmente postado em 17 de novembro de 2008



“Em sonhos sou igual ao moço de fretes e à costureira. Só me distingue deles o saber escrever. Sim, é um acto, uma realidade minha que me diferença deles. Na alma sou seu igual.”

Livro do Desassossego – Bernardo Soares (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sobre meninos e ventos

A coisa mais linda do mundo

É quem acredita em vida

Dá asas a sonhos

Como uma lufada de vento.

Quando penso em meninos lembro logo dos contos de aventura, de ilhas, tesouros e heróis.

Meninos são assim. Crescem e trocam os cavalinhos de pau por conversíveis (imaginários ou reais) ou motos possantes, mas no fundo ainda guardam um tantinho dos meninos que foram (?) e das aventuras de cavaleiros andantes, onde tomam o lugar do herói e saem por aí a tentar mudar o mundo e as injustiças da terra.

Menino que teve infância saudável, com muita corrida nas ruas, pés descalços nas férias em casa de avós, vira homem e não abandona a capacidade de se indignar com o que acha errado, contra as dores do mundo e o triunfo dos porcos.

Emociona-se com fotos antigas, com imagens de filhotes, gosta de mandar flores em forma de palavras. Corre contra o tempo chega com o vento, ou é o próprio vento...

Mas o que sei eu sobre meninos, lobos e ventos? Sinto mais que sei, mas os ventos são assim mais pra senti-los que pra sabê-los, ou não?

Esse post, que pretendeu ser poema mas que acabou também não sendo bem prosa foi feito em homenagem ao Luís Bento que com seu jeito sempre menino ,o ar de miúdo e o levar a vida assim tipo:" De do do do De da da da..., me brindou com um belo conto de princesas que tento retribuir,infelizmente sem o mesmo brilho...esse sim um verdadeiro cavalheiro.