Edgar Degas-Mulher pentenado seus cabelos - 1886
Duras manhãs
As horas frias
Dores manhãs

Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo …
E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente…
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente …
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado…
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mals fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia…
Florbela Espanca - Trocando olhares
Deixa nos teus olhos o brilho e a cor da noite. Da menina que ainda guarda dentro do peito.
Sempre fui apaixonada por festas de São João, desde menina.Hoje não vou resistir,além da ilustração da tradicional Cascata de São João, vim aqui deixar uma recordação de infância.

Eu ainda menina,
Bem pequena,miúda
Me achava a coisa mais linda
Da festa de São João.
E hoje aqui no meu quarto,
Olhos seus fogos e peço
Devolva o meu sorriso
Nessa noite,
São João.
O santo olhou, foi assim
E junto com os fogos trouxe
Meu amor de volta pra mim...
Em cidades como essa eu me sinto em casa. Sinto que posso me mudar de mala e cuia, de sonhar com vida nova, de “sumir” do mundo e construir novo mundo.
Pra cá trago filho,amor,cachorro e meus livros.
Cidades com história me fascinam na mesma medida em que lugares desertos me dão um certo desespero.
Gosto do campo, na verdade gosto de cidades do interior, gosto dos povoamentos, dos núcleos urbanos não muito grandes, mas com o mínimo de arsenal urbano para um ser humano como eu sobreviver.
Acho que ia ser feliz vivendo aí. Cidade linda, antiqüíssima, fria, cheia de história, de tradições, plena em vida.
“Você me abre seus braços e a gente faz um país.”