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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tarde sem vento


Uma sensação de sufoco por causa do calor fora de época ou por motivos menos climáticos.

O fim de tarde não trazia boas promessas ou um horizonte belo. O cinza da cidade se espalhava pela alma ou o cinza da alma nublava os olhos.

Um bando de andorinhas alardeava o verão fora de hora.

No meio da multidão, a sensação de não ser reconhecida por nenhuma daquelas caras de certa forma a confortava. Mas viu esse pequeno conforto ser ameaçado. Esquivava-se da cara conhecida, não queria abraços, beijos e – o pior- trocar palavras. Conseguiu escapar.

Respirou fundo e venceu a fumaça da comida de rua e dos veículos feito formigas atarantadas em fim de dia.

Venceu o medo, o enfado e procurou em vão as tais andorinhas. Decerto foram anunciar o verão em outra freguesia.

Os ruídos ensurdecedores se transformaram em silêncio opressor. Estava chegando em casa, carregando nos ombros o peso de viver, o peso do mundo.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Tempo...


...de flor

A TV informa: terminou o horário de verão...

Há dias o verão foi partindo de mim. Foi levando sua falta de brisa, seu sol escaldante, as sensações ruins do excesso de calor.

Um vento vem invadindo minha alma, tornando mais lindas minhas manhãs.

Outro dia sonhei com uma noite enluarada. Devia ser uma noite de maio.

Adoro maio e seus dias perfumados. Dias em flor.

Acho que maio está começando a amanhecer em mim.